Recentemente eu estava assistindo ao vídeo do Internet Pitstop(em inglês)1, e por várias vezes são citados planos de fundo de animes do estúdio Ghibli que retratam cenários de mundos pós-apocalípticos onde seres humanos precisam conviver, forçadamente, em sincronia com a natureza. Construções dos dias de hoje, como prédios, viadutos e aviões, todos abandonados e sendo lentamente ocupados pela natureza.
Isso me fez refletir sobre a busca humana em tentar parar o tempo, evitando o decaimento e inevitável morte. Sempre uma busca para subjugar as leis da natureza. Uma busca para tentar se tornar bastiões imutáveis e duráveis perante à tirania da natureza. Mas como seria uma sociedade que convive em unicidade com a natureza? Onde nada é imutável, mas adaptável?
O fim do mundo sempre permeia o nosso imaginário, mas quando nos referimos a “fim do mundo” o real significado é, geralmente, “fim da raça humana”. A natureza sempre dá um jeito de sobreviver, independentemente das condições que são impostas, justamente por ela ser adaptável. Uma planta sempre vai dar um jeito de crescer independente das condições que lhe são impostas. É só andar pela calçada de qualquer cidade para ver que sempre existem plantas crescendo em meio às rachaduras do concreto ou asfalto. Árvores que crescem destruindo e se moldando ao pequeno espaço entre o concreto onde lhe foi permitido existir. Independente das nossas tentativas de ir contra à adaptabilidade da natureza, elas continuam e continuarão falhando.
Imagine um mundo onde construções são feitas não de materiais rígidos e de difícil de obtenção, que estão fadados à ruína de qualquer jeito, mas de materiais renováveis e de fácil obtenção onde se é permitido ruir. Imagine um prédio biodegradável, que pode exigir manutenção constante, mas que é suficientemente estável e que pode ser destruído para construir algo novo, para se adaptar. Que tal uma cidade construída em árvores? E uma cidade flutuante, que sobe e desce de acordo com o nível do mar? Asfalto biodegradável?
Sei que estas ideias podem parecer estúpidas e impossíveis de serem executadas, mas muitas coisas parecem até se descobrir que não são. Há séculos atrás, seria difícil imaginar que é possível construir arranha-céus acima das nuvens, ou pontes que atravessam desfiladeiros de centenas de metros de altura, ou foguetes que nos levam à outros planetas. Mas agora é possível, graças a avanços da engenharia, farmacologia, matemática e todas as ciências de modo geral. Se existe um objetivo específico, os seres humanos vão trabalhar coletivamente para alcançá-lo. Talvez seja necessária uma mudança de objetivos.
Algumas profissões, como agricultores e pescadores, precisam trabalhar em conjunto com a natureza, entendendo o ciclo de reprodução, plantio e colheita. Acho que precisamos de mais deste contato, e aprender a nos adaptar em juntamente com a natureza em vez de tentar domá-la e lutar contra a sua inevitável mutabilidade.
“The Beauty Of Anime Backgrounds”, por Internet Pitstop (https://www.youtube.com/watch?v=2MAA-LxLScI)↩