BaianaSystem, para mim, é uma daquelas bandas difícil de definir em uma única frase. Inicialmente achei que fosse uma banda que misturava ritmos tradicionais do nordeste com “pop” e “rock”, mas com o passar do tempo eles expandiram muito os horizontes. O álbum “OXEAXEEXU” viaja pela América Latina e para a África para trazer ritmos que eu sequer sabia os nomes.
A música “Nauliza”1 me apresentou as batidas frenéticas do singeli2 com o produtor tanzaniano Jay Mita. Já “Capucha”3 traz um pouco dos ritmos chilenos (que infelizmente não os nomes) com a cantora Claudia Manzo.
E “Capim Guiné”4 tem uma mistura de rock, kuduro, funk e música eletrônica em parceria com a cantora angolana Titica e com a Margareth Menezes. Isso foi só que consegui identificar, pois a música é ainda mais complexa.
Durante muito tempo eu não gostei de muitas músicas brasileiras, em grande parte porque eu era um idiota. Depois que eu passei a ser menos idiota, meu problema era todas as músicas que eu ouvia pareciam “gringas” demais, como se as fossem traduções de versões estrangeiras. Demorei algum tempo para achar obras que eu considerasse autênticas, com verdadeiro cheiro de Brasil. Músicas que se mantém perto da realidade, sem apelar para versões gourmetizadas da nossa cultura popular.
A música de hoje foi a primeira que ouvi do grupo e se chama “Invisível”. Não considero a melhor que eles já fizeram, mas foi uma das obras que abriu meus olhos de volta para os artistas brasileiros. Às vezes a gente olha olha muito para a cultura que vem de fora e esquece das coisas que temos por aqui.
Um arquivo atualizado com todas as músicas também está disponível neste link.
Link: https://en.wikipedia.org/wiki/Singeli (em inglês).↩